As mães e o poste de luz (relato de reunião)

Na última quinta-feira, dia 07 de maio, aconteceu mais um encontro de Mães do Coque. O grupo contou com três novas integrantes: Jaciara, Vera e Elizângela, além de Dona Arlete, Dona Maria José e Vânia, já conhecidas de outros carnavais. As três têm contribuído enormemente para a constituição do grupo: Vânia com sua vontade imensa de mudar as coisas, Dona Maria José com uma memória invejável sobre os acontecimentos históricos do Coque, e Dona Arlete com sua facilidade de trazer à tona temas que passariam despercebidos por muitos.

O encontro começou com um breve repasse a respeito dos últimos encontros. Fiz questão de lembrar que no último dia de encontro, dia 30 de abril, não apareceu vivalma para participar. Elas riram, um pouco envergonhadas. Mostrei também o trabalho de digitalização das fotos antigas e de composição do álbum digital. Foram corrigidos alguns textos.

Finalmente, começamos o encontro tal qual elas gostam: falar da comunidade. Sob pretexto de gravação de áudio, retomamos alguns dos temas tratados nos encontros anteriores, começando pela construção do metrô. Se falou em fábricas que despejavam para fora de seus portões produtos para serem descartados, como os tecidos da Piriespuma e o Café Mundial; falou-se na cidade alta do Coque, onde hoje está a Linha Azul do Metrô; da escola Anchieta; de seu Floripe.

O tema mais instigante, com certeza, foi o da visita do Papa João Paulo II ao Coque, na década de 80. Cada mulher falou de suas lembranças.

Dona Maria lembra que muitos parentes seus vieram do interior para o evento e que moradores do Coque alugavam suas casas para fiéis que buscavam uma visão mais privilegiada do Papa. Vânia disse que no dia soltaram muitas bolas de cima do viaduto para as crianças do Coque e que a confusão foi tanta que sua mãe a pegou pelo braço e levou-a de volta pra casa: “O papa mesmo eu não cheguei a ver”. Dona Arlete diz que o marido lucrou muito alugando bancos de madeira para as pessoas sentarem e que foi um dia muito feliz. Ela lembra especialmente que foram colocados postes de iluminação “especialmente para a visita do Papa” e que ela sempre achou que os postes nunca iriam ser retirados dali por simbolizar esse dia. Mas Dona Arlete diz que há pouco tempo, passou na rua e os postes tinham sido retirados por conta da expansão de uma construção próxima ao Fórum. E várias vezes repetiu: “eu nunca achei que iam ter coragem de tirar aqueles postes dali!”. Mais interessante do que o símbolo que Dona Arlete encontrou e prezou para aquele dia histórico, foi a reação de suas companheiras. Todas se solidarizaram com a indignação de Dona Arlete e uma dela, inclusive, se prontificou a investigar o paradeiro do poste. A idéia do grupo é tirar uma última foto daquele monumento do Papa no Coque: aquele poste de luz.

Revelada a importância do poste, outros monumentos históricos apareceram, dignos de registro fotográfico:  uma magueira e dois coqueiros seculares, que resistiram ao violento processo de urbanização do bairro e têm muito pra contar.

Para o próximo encontro, mais fotos serão digitalizadas, novas histórias contadas e, se a investida de Jaciara tiver sido bem sucedida, sairemos em busca de um registro da história do bairro pelas mães: um posto, uma mangueira e dois coqueiros.

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